
Guia de bairros de Rio De Janeiro
Centro, Rio de Janeiro: o centro histórico mais antigo da cidade em plena luz do dia
O bairro fundador do Rio é um emaranhado vibrante de mosteiros, ícones modernistas, cafés da Belle Époque e reinvenção portuária – melhor explorado a pé, durante o dia, com a multidão de escritórios como guia.
O Rio começou aqui, e o Centro ainda carrega o primeiro pulso da cidade nos ossos antigos de suas ruas. Um momento você está sob o silêncio dourado do Mosteiro de São Bento; no seguinte, está olhando para as costelas brancas do Museu do Amanhã na Praça Mauá, a poucas paradas de bonde e vários séculos de distância. Esse é o prazer deste distrito: ele não finge ser uma coisa só. São tribunais e igrejas, bancos e salas de leitura, barracas de mercado e cafés de mármore, um centro que trabalha duro das nove às seis e depois dobra as cadeiras. Venha com a luz do dia, siga a multidão de escritório e deixe a cidade mostrar como foi construída.
Pelo que o Centro é conhecido
O Centro é o núcleo histórico e cívico do Rio, o lugar onde a história da cidade ainda está à vista, não atrás de vidro. O contraste vem rápido e sem desculpas. O Mosteiro de São Bento, iniciado em 1590, parece simples por fora, mas se abre para um interior coberto de talha barroca dourada; a poucos quarteirões, a Catedral Metropolitana de São Sebastião se ergue como um cone de concreto, com 75 metros de diâmetro, concluída em 1979, com quatro enormes vitrais do chão ao teto. Entre elas, fica a Igreja da Candelária, inaugurada em 1898 após 123 anos de construção, e o Real Gabinete Português de Leitura na Rua Luís de Camões, uma sala de leitura neomanuelina tão bela que foi eleita uma das bibliotecas mais deslumbrantes do mundo.

Esse é o ritmo do Centro em uma caminhada: piedade colonial, ambição imperial, confiança modernista. É também um distrito que lembra sua própria reinvenção. O porto antigo se tornou o Porto Maravilha, e o novo marco lá é o Museu do Amanhã de Santiago Calatrava na Praça Mauá, todo espinhas brancas e ângulos futuristas contra a baía. O Centro não é um bairro de cartão-postal; é uma lição de história com ruído de trânsito, sinos de VLT e crachás de escritório. E é exatamente por isso que parece tão vivo durante a semana. A verdadeira maquinaria da cidade ainda funciona por aqui.
Onde comer e beber
A primeira parada, se você tem algum afeto por centros antigos, é a Confeitaria Colombo na Rua Gonçalves Dias. Fundada em 1894, é o tipo de café da Belle Époque que faz você diminuir o passo sem querer: espelhos belgas, claraboia de vitral, mármore e jacarandá, quase tudo inalterado por mais de um século. Venha no meio da manhã para um café e a famosa empada de camarão, por cerca de R$15, ou reserve o Restaurante Cristóvão no andar de cima para o bufê do meio-dia. Enche rápido — ainda é um centro em funcionamento — então o truque é chegar antes do meio-dia ou depois das 14h, quando a maré do almoço diminuiu e a sala respira de novo.

Para almoçar com a multidão de escritório, gosto das vielas ao redor da Praça XV, onde o centro antigo da cidade ainda parece em escala humana. A Travessa do Comércio, acessada pelo colonial Arco do Teles, é uma fileira de bares e restaurantes em sobrados sem carros, e a partir das cinco o happy hour do pós-trabalho começa a se formar. Dá para sentir o dia se soltando ali: gravatas afrouxando, bebidas geladas chegando, as portas da vida de rua sendo abertas para mais uma rodada antes do Centro ficar quieto de novo.
Na mesma orla histórica, o Cais do Oriente na Rua Visconde de Itaboraí 8 oferece uma mesa mais refinada, com pratos orientais e mediterrâneos dentro de um armazém do século XIX restaurado perto dos centros culturais. É um daqueles lugares que só fazem sentido no Centro, onde o porto antigo e o novo distrito dos museus ficam lado a lado e ninguém parece surpreso com a colisão.
Para uma pausa de boteco de verdade, o Amarelinho da Cinelândia é o clássico do centro. Na Praça Floriano, em frente ao Theatro Municipal, ele serve chopp gelado e petiscos de boteco desde 1921 no seu terraço amarelo de esquina, que é um dos melhores pontos para observar as pessoas no distrito. Sente-se lá no final da tarde e você pode ver a cidade mudar de registro em tempo real: trabalhadores indo para casa, a praça se esvaziando, as fachadas grandiosas ficando douradas, depois cinzas.

Vida noturna
Sejamos honestos sobre o Centro depois de escurecer: o distrito de escritórios fica quieto e fechado dentro de uma hora após o fechamento. Para boates, casas de samba e festas de rua, você vai para a vizinha Lapa, que fica a poucos minutos. A vida noturna do Centro é mais restrita, mas tem um ritual que vale a pena construir uma noite em torno dele.
No bairro da Saúde, atrás do porto, na área conhecida como Pequena África, os paralelepípedos da Pedra do Sal recebem o que muitos consideram a roda de samba mais tradicional da cidade. Acontece toda segunda-feira a partir das 20h, é cancelada se chover, e volta às sextas. É gratuita e aberta a todos, e o público são locais dançando com caipirinhas de vendedores de rua, não um espetáculo turístico. Chegue cedo se quiser ficar perto dos músicos, leve apenas dinheiro trocado, mantenha o celular guardado e pegue um aplicativo de volta. Essa é toda a etiqueta: compareça com respeito, fique à vontade e deixe o ritmo fazer o resto.

Fora desse ritual de segunda-feira, os bares pós-trabalho ao redor do Arco do Teles e o terraço do Amarelinho animam o início da noite. Essa é a versão do Centro de sair: não uma balada até tarde, mas um fluxo medido da mesa para a bebida e para a partida. Quando a noite se aprofunda, o pulso real da cidade já se mudou para Lapa.
O que fazer e o que ver
Esta é a caminhada turística mais densa do Rio, e a melhor maneira de entender o Centro é fazê-la a pé, em sequência, com o dia ainda jovem. Comece na Praça XV e no Paço Imperial, o palácio real colonial, depois entre no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) na Rua Primeiro de Março. É um banco neoclássico transformado em centro cultural gratuito com exposições temporárias de grande porte, aberto de quarta a segunda, e oferece ao distrito um contraponto moderno útil: não apenas preservação, mas uso.
Caminhe pela espinha das igrejas. A Igreja da Candelária enfrenta a Baía de Guanabara com sua confiança barroca intacta. O Mosteiro de São Bento merece ser visitado no horário da missa das 10h de domingo com canto gregoriano, se sua agenda permitir. E a Igreja de São Francisco da Penitência no Largo da Carioca é um daqueles interiores que param a conversa: paredes douradas, um teto pintado com a Glorificação de São Francisco e algumas das melhores artes coloniais do Brasil.

Reserve com antecedência o tour gratuito do Real Gabinete Português de Leitura, aberto de segunda a sexta, das 9h às 18h. É uma daquelas salas que ainda parecem improváveis na vida real: talha neomanuelina, livros empilhados e a sensação de que a cidade já teve mais paciência para a grandiosidade do que tem agora. Depois, vá para a Cinelândia, onde o Theatro Municipal de 1909, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional se alinham em torno de uma grande praça. É aqui que o Rio encena seu eu cívico, todo mármore, degraus e gravidade institucional.
De lá, pegue o VLT para o Porto Maravilha. O Museu do Amanhã na Praça Mauá custa R$40, é gratuito às terças e abre de quinta a terça, das 10h às 18h. Ao lado, o MAR – Museu de Arte do Rio custa R$20 e também é gratuito às terças. Se ainda tiver energia, o AquaRio é o maior aquário da América do Sul, outra peça da zona portuária regenerada que faz a orla parecer um distrito, não um projeto único.
Don’t miss in Centro
A deslumbrante biblioteca neo-manuelina, Real Gabinete Português de Leitura.
O futurista Museu do Amanhã, no revitalizado Pier Mauá.
Os becos históricos de pedestres da Travessa do Comércio.
A área do porto é onde o eu antigo e o novo do Centro se cumprimentam. Você ainda sente o porto em funcionamento no vento e no trânsito, mas os museus deram à orla uma borda mais limpa e pública. Pegue o VLT até lá em vez de caminhar pelos trechos mais vazios; o centro funciona melhor quando você deixa o bonde fazer a conexão longa e guarda as pernas para as praças, degraus e interiores.
Compras e mercados
Se você quer a verdadeira história de compras do centro, vá ao SAARA. O nome vem da associação de comerciantes Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega, formada em 1962 por comerciantes da Rua da Alfândega, mas o mercado em si parece mais antigo que o acrônimo. Ele se espalha pela Rua da Alfândega, Rua Senhor dos Passos, Rua Buenos Aires e vielas vizinhas, com mais de seiscentas lojas vendendo tecido, fantasias de Carnaval, artigos para festas, brinquedos, eletrônicos, especiarias e tudo barato. O distrito foi inicialmente povoado por imigrantes árabes e judeus na virada do século XX, e ainda tem aquela energia inquieta e poliglota: barulhento, amigo do dinheiro, espere barganhar em produtos sem preço, e não chegue com pressa. Uruguaiana é o metrô mais próximo, e o mercado abre de segunda a sexta, das 9h às 18h, mais sábado das 9h às 14h.
Para uma descoberta muito diferente no centro, entre na A Gentil Carioca na Rua Gonçalves Lédo. Fundada em 2003 pelos artistas Ernesto Neto, Márcio Botner e Laura Lima, ocupa dois sobrados restaurados dos anos 1920 no bairro da SAARA e se encaixa confortavelmente no circuito da Art Basel e da Frieze. Esse contraste é puro Centro: uma rua é tecido barato e estoque de Carnaval, a próxima é arte contemporânea em antigos cômodos domésticos. É um lembrete de que este bairro nunca foi uma peça de museu, mesmo quando está cheio de museus.
Onde ficar no Centro
Para a maioria dos viajantes a lazer, o Centro é um lugar para passar um dia, não uma base. Você troca manhãs na praia por um deslocamento, e as ruas imediatas ficam vazias à noite. Mas há alguns casos em que faz sentido: se você está aqui a negócios perto dos tribunais e bancos, com um roteiro turístico apertado no centro, ou pegando um voo cedo de Santos Dumont, ficar perto da Cinelândia pode ser prático. A área coloca você a uma curta caminhada do Theatro Municipal, dos museus e do metrô, e há opções de rede, incluindo propriedades econômicas perto da estação, que são seguras e bem conectadas.
Fique perto da Cinelândia ou da Praça Mauá, em vez das ruas mais tranquilas, e prefira uma propriedade perto de uma estação de metrô ou VLT. Essa é a diferença entre uma base útil no centro e uma solitária. Se sua fantasia do Rio envolve praia, jantar e uma cena de rua animada após o escurecer, baseie-se em Ipanema, Leblon ou Botafogo e venha ao Centro como um passeio de um dia. Ele faz esse trabalho lindamente.
Onde ficar aqui
Hotéis em Centro
Nossas estadias mais bem avaliadas neste bairro. Os preços são tarifas aproximadas “a partir de” — confirmadas com o provedor quando você continuar. Podemos receber uma comissão se você reservar por meio de nossos parceiros — sem custo extra para você.
Como se locomover
O Centro é compacto e melhor explorado a pé durante o dia, e por ser o hub de transportes da cidade, é fácil chegar e sair. O Metrô (Linha 1) para em Cinelândia, Carioca e Uruguaiana – esta última é a que você quer para a SAARA – e liga o Centro a Copacabana e Ipanema em cerca de 15 a 25 minutos. O VLT Carioca, um bonde leve, conecta o bairro ao nível da rua, circulando do Aeroporto Santos Dumont pela Avenida Rio Branco até a Praça Mauá e os museus do Porto Maravilha, e seguindo para o terminal rodoviário Novo Rio e a estação Central. As balsas para Niterói partem da Praça XV. Cartões bancários contactless funcionam no metrô, ônibus e balsas; o VLT usa o cartão Jaé.
Para os museus do porto, pegue o VLT até a Praça Mauá em vez de andar pelos trechos mais vazios. Após o anoitecer, use aplicativos de transporte em vez de caminhar pelas ruas mais tranquilas, mantenha objetos de valor fora de vista e planeje seu passeio para o dia, quando o centro está mais animado e seguro. O Centro recompensa esse tipo de atenção. Ele não tenta te lisonjear. Ele mostra a sala de máquinas da cidade, ainda em funcionamento.
Bom saber
Centro — suas perguntas
O Centro é uma boa área para se hospedar no Rio de Janeiro?
Para a maioria dos viajantes, não. O Centro funciona melhor como um distrito de passeios diurnos do que como uma base de lazer, sem praia por perto e com ruas que ficam vazias após o expediente. Faz sentido para viagens de negócios, uma estadia focada em cultura do centro perto da Cinelândia ou um voo cedo de Santos Dumont. Caso contrário, baseie-se em Ipanema, Leblon ou Botafogo e visite o Centro em um bate-volta.
O Centro é seguro para visitar?
Durante o dia, sim – especialmente nas avenidas principais e perto das estações de metrô, onde as igrejas, museus e cafés estão no seu melhor. Esvazia rapidamente após as 19h e nos fins de semana, quando as ruas mais tranquilas parecem menos seguras. Faça seus passeios durante o dia, fique nas rotas principais, mantenha o celular fora de vista e use aplicativos de transporte à noite.
Quais são os imperdíveis no Centro do Rio de Janeiro?
Em uma caminhada durante a semana, não perca a Confeitaria Colombo, o Real Gabinete Português de Leitura, o Mosteiro de São Bento e a Igreja da Candelária, o CCBB, o Theatro Municipal na Cinelândia e a SAARA. Depois, pegue o VLT até a Praça Mauá para visitar o Museu do Amanhã, o MAR e o AquaRio no porto revitalizado. Muitas igrejas e centros culturais são gratuitos; os museus são gratuitos às terças-feiras.
Como circular pelo Centro sem perder tempo?
Explore o centro a pé durante o dia e use o Metrô, o VLT e as balsas para distâncias maiores. A Linha 1 do Metrô nas estações Cinelândia, Carioca e Uruguaiana conecta às praias em cerca de 15 a 25 minutos, enquanto o VLT liga o Aeroporto Santos Dumont, a Praça Mauá, a Novo Rio e a Central. À noite, use aplicativos de transporte em vez de andar pelas ruas mais tranquilas.
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