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Leblon, Rio de Janeiro: o bairro praiano que come bem e mantém a elegância

O bairro praiano de alto padrão do Rio combina uma faixa de areia mais tranquila com a cena gastronômica mais concentrada da cidade, do Baixo Bebê à Rua Dias Ferreira.

Rodrigo Nascimento

Por Rodrigo NascimentoGranite peaks and Atlantic surf, trailhead to seawall

10 min de leitura

Leblon, Rio de Janeiro: o bairro praiano que come bem e mantém a elegância
Leblon, Rio De Janeiro

Leblon começa onde a cidade relaxa os ombros. A areia é a mesma vasta faixa do Atlântico Sul que você encontra em Ipanema, mas o ritmo muda assim que você se desloca para oeste e as multidões diminuem. Aqui a praia parece menos um espetáculo e mais um hábito: passeadores de cães antes do café da manhã, famílias com baldes e pás no fim da manhã, frequentadores queimados de sol voltando para casa no fim da tarde, e então aquela suave agitação noturna quando os botecos começam a servir chope e as calçadas se enchem de conversa. A Rua Dias Ferreira corre a um quarteirão da água como uma sala de jantar particular da cidade. A Avenida Ataulfo de Paiva cuida da parte prática. Entre elas, Leblon mantém seu dinheiro discreto e seus prazeres à mão.

O que torna Leblon famoso

Baixo Bebê perto do Posto 12 na Praia do Leblon, água verde e rasa com sombra suave, famílias e uma orla adequada para crianças ao meio-dia
Baixo Bebê perto do Posto 12 na Praia do Leblon, água verde e rasa com sombra suave, famílias e uma orla adequada para crianças ao meio-dia

Leblon é conhecido, primeiro, por ser a extremidade mais calma da clássica praia carioca. A Praia do Leblon é a continuação de Ipanema para oeste, e carrega essa herança com leveza: mesmo oceano, menos teatralidade, filas menores, menos daquela energia de ver e ser visto que define o trecho mais famoso ao lado. A extremidade oeste é onde o bairro mostra seu lado mais suave. O Baixo Bebê, perto do Posto 12, é o point familiar desde 1997, sombreado e raso, com uma água que se mantém calma por uns bons cinquenta metros da costa. Se você chega com crianças pequenas, boias ou simplesmente o desejo de um pedaço de areia mais sossegado, é aqui que a praia deixa de ser cartão-postal e começa a ser útil.

A outra coisa pela qual Leblon é conhecido é que se come extremamente bem sem alarde. A Rua Dias Ferreira é o destaque, mas a verdadeira história é a concentração: restaurantes sérios, botecos antigos e um templo da cachaça, todos a uma caminhada de dez minutos um do outro, num bairro que ainda parece vivido, não cenográfico. É aqui que os cariocas vêm para um jantar caprichado, e para onde voltam na noite seguinte para uma cerveja gelada e um prato de frituras. Leblon não grita seu status; deixa a agenda de reservas e o balcão do bar falarem por si.

Na ponta oeste da praia, o deck de madeira gratuito do Mirante do Leblon oferece o bairro num só olhar. Lá de cima, a curva da costa se abre: Leblon, Ipanema e, num dia claro, o Corcovado e o Morro Dois Irmãos como âncoras na borda do quadro. É um daqueles raros mirantes cariocas que ainda valem a subida porque não se esforçam demais.

deck de madeira do Mirante do Leblon na hora dourada, com vista para a curva da Praia do Leblon em direção a Ipanema e os picos gêmeos do Morro Dois Irmãos
deck de madeira do Mirante do Leblon na hora dourada, com vista para a curva da Praia do Leblon em direção a Ipanema e os picos gêmeos do Morro Dois Irmãos

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Onde comer e beber

Para entender Leblon, comece na Rua Dias Ferreira e percorra-a devagar. Esta é a espinha dorsal gastronômica do bairro, onde as reservas para jantar importam e onde o apetite da cidade fica mais sério. No CT Boucherie, Claude Troisgros transforma um jantar de carnes num ritual de acompanhamentos: ratatouille, rösti, gratinados e feijão carioca circulando pela mesa enquanto a grelha cuida dos cortes nobres. É o tipo de salão onde o ritmo do serviço é tão importante quanto o cardápio, e onde o prazer está no equilíbrio, não no espetáculo.

Sushi Leblon na Rua Dias Ferreira, balcão de sushi intimista com chefs trabalhando sob luz noturna e ambiente compacto
Sushi Leblon na Rua Dias Ferreira, balcão de sushi intimista com chefs trabalhando sob luz noturna e ambiente compacto

Algumas portas adiante, o Sushi Leblon é uma instituição há quase quatro décadas, e ainda carrega a confiança de quem sabe exatamente o que é. A listagem no Guia Michelin é uma coisa; o verdadeiro credencial é a longevidade numa rua onde as tendências vêm e vão rapidamente. Reserve com antecedência se quiser jantar, e então acomode-se para o tipo de balcão de sushi que parece entranhado no bairro, não importado.

O Ferro e Farinha, no número 48, traz um tipo diferente de precisão. As pizzas de fermentação natural e forno a lenha de Sei Shiroma são daquelas que se comem com as mãos e se lembram tanto pela crosta quanto pelos ingredientes. Foi a primeira pizzaria carioca a entrar na lista das 50 Top Pizza do mundo, o que soa como um troféu até você provar e perceber que a massa faz todo o trabalho pesado. Perto dali, o Quadrucci mantém a italiana contemporânea em sintonia com as estações sob o chef Ronaldo Canha, enquanto o ¡Venga!, no número 113, aposta em tapas espanholas e pratos para compartilhar com a confiança tranquila de quem foi feito para a permanência.

Fora da rua dos restaurantes, os botecos são onde Leblon passa de polido a pessoal. O Jobi, na Avenida Ataulfo de Paiva desde 1956, é a referência: a casa quase oficial do melhor chope da cidade, aberto até tarde, famoso por bolinhos e petiscos luso-brasileiros que dispensam discursos. O Bar Bracarense, na Rua José Linhares 85, funciona desde 1961 e continua sendo a referência em bolinho de bacalhau, um clássico da imigração portuguesa frequentado por Tom Jobim. Na Academia da Cachaça, na Rua Conde de Bernadotte 26, a cachaça é o ponto: perto de cem rótulos, petiscos nordestinos, carne de sol e um cardápio que pede uma segunda rodada antes de terminar a primeira.

Jobi na Avenida Ataulfo de Paiva à noite, mesas na calçada lotadas com copos de chope gelado, pratos de boteco e vizinhos conversando sob os postes
Jobi na Avenida Ataulfo de Paiva à noite, mesas na calçada lotadas com copos de chope gelado, pratos de boteco e vizinhos conversando sob os postes

Para uma redefinição no dia seguinte, o Talho Capixaba na Avenida Ataulfo de Paiva 1022 é um daqueles lugares que silenciosamente se tornam parte da viagem. É uma delicatessen e padaria que existe desde 1958, e seus pães de longa fermentação são um forte argumento para o brunch como forma de autoconservação. Em Leblon, o café da manhã pode ser uma estratégia.

Balcão da padaria Talho Capixaba na Avenida Ataulfo de Paiva, pães de longa fermentação e pratos de brunch atrás do vidro sob luz da manhã
Balcão da padaria Talho Capixaba na Avenida Ataulfo de Paiva, pães de longa fermentação e pratos de brunch atrás do vidro sob luz da manhã

Vida noturna

A noite em Leblon não é do tipo tarde, barulhenta e pegajosa. É sobre a longa deriva sociável do jantar às bebidas, e os prazeres de ficar depois de encontrar a mesa certa. O Liz Cocktail & Co é o destaque: um bar pequeno que se espalha pela calçada, onde o premiado bartender Tai Barbin comanda uma lista criativa de punches, sours e originais. O cartão-postal gratuito que eles deixam você enviar ao sair é um charme, mas a verdadeira razão para vir é a carta de drinks, que rendeu ao bar um lugar na lista World’s 50 Best Discovery.

Se sua ideia de uma boa noite pende mais para cerveja do que para mixologia, o Brewteco na Rua Dias Ferreira 420 mantém as coisas descontraídas com torneiras artesanais e um clima mais casual. Mas a noite clássica em Leblon ainda é o circuito do Baixo Leblon: Jobi, Bar Bracarense e Academia da Cachaça, todos movimentados até depois da meia-noite, com mesas transbordando para as calçadas e carros estacionados servindo como assentos extras. É uma cena sociável e segura, não uma farra. O público se move a pé, o chope continua chegando e a conversa faz o trabalho pesado.

Isso importa, porque Leblon conhece seu lugar. Este não é o bairro para baladas ou para perseguir um DJ até o amanhecer. Se a missão é essa, Lapa é o caminho, e fica a apenas uma curta viagem de app. Aqui, a noite é feita para quem quer mais uma rodada e uma cadeira decente.

O que fazer / o que ver

A praia é a atração principal, e não adianta fingir o contrário. A Praia do Leblon é o lugar para esticar uma canga, alugar uma cadeira com guarda-sol de um barraca e deixar o dia se acomodar ao seu redor. A areia é mais calma aqui, menos passarela do que os trechos mais agitados a leste, e isso por si só muda o clima. Você pode ler, cochilar, nadar, observar as pessoas, e repetir tudo sem sentir que perdeu o sentido.

As famílias devem ir para o Baixo Bebê perto do Posto 12, onde a água rasa e o parquinho sombreado fazem a extremidade oeste da praia parecer construída para crianças pequenas, em vez de apenas tolerá-las. Tem a gentileza prática de um bom parque de bairro, só que o parque é uma faixa de areia e a trilha sonora é o surf.

Termine a tarde no Mirante do Leblon. O deck é gratuito, a vista é ampla, e o timing importa: a luz do fim da tarde transforma a costa num mapa em camadas, com o Morro Dois Irmãos tão perto que parece uma parede, e o arco de volta para Ipanema se estendendo limpo atrás de você. Pescadores trabalham nas rochas abaixo, quiosques vendem cerveja por perto, e tudo parece uma recompensa que não exige muito planejamento.

De lá, a Lagoa Rodrigo de Freitas é o próximo passo fácil. A lagoa faz fundo ao bairro e lhe dá um tipo diferente de borda: um calçadão plano à beira d'água, clubes de remo, quiosques, corredores, ciclistas e caminhantes do início da noite, todos se movendo em torno de um circuito refletivo com o Corcovado espelhado na água. É uma das maneiras mais fáceis de entender a geografia de Leblon — praia de um lado, lagoa do outro, montanhas se fechando além de ambas.

Don’t miss in Leblon

  • O mirante no Mirante do Leblon para vistas de todo o litoral.

  • O trecho de restaurantes badalados na Rua Dias Ferreira.

  • A área tranquila e familiar da praia no Posto 12.

Compras e mercados

A vida de compras em Leblon não é sobre fuçar barracas ou pechinchar sob lonas. É mais elegante, mais estabelecida e muito condizente com o clima geral do bairro. A Avenida Ataulfo de Paiva é a rua principal do dia a dia, repleta de butiques, farmácias, sucos e cafés, e é onde várias marcas de moda brasileiras mantêm suas lojas-conceito. A Lenny Niemeyer é a parada óbvia se você quer um biquíni digno do Rio ou uma saída de praia que realmente pertence ao mar, não apenas perto dele.

O Shopping Leblon cuida do briefing de dia chuvoso: um shopping moderno com marcas nacionais e internacionais, além de uma praça de alimentação com vista para o Corcovado e a lagoa. O Rio Design Leblon, na Avenida Ataulfo de Paiva 270, começou como um shopping de decoração e se transformou num conjunto inteligente de lojas e restaurantes, daqueles onde você entra por uma coisa e sai tendo resolvido três outras.

Leblon não tem um grande mercado ao ar livre próprio, e essa ausência faz parte do seu caráter. Se você quer a famosa feira de artesanato da Feira Hippie aos domingos, atravessa uma praia até Ipanema. Em Leblon, as compras são menos sobre a caça e mais sobre a facilidade de ter coisas boas por perto.

Onde ficar em Leblon

Leblon é para viajantes que querem a praia, mas valorizam calma, conforto e uma base segura acima de tudo, e que estão dispostos a pagar por esse privilégio. É o bairro praiano mais caro da cidade, e se comporta como tal. A orla na Avenida Delfim Moreira concentra os endereços premium com vista para o mar e os preços mais altos. Se você quer um pouco mais de espaço sem abrir mão da conveniência, a melhor relação custo-benefício está no grid interno, de uma a três ruas para trás — em torno da Rua General San Martin, Rua Ataulfo de Paiva e ruas que levam à Rua Dias Ferreira — onde você ainda fica a minutos da areia e da faixa gastronômica.

As quadras mais próximas da Lagoa e do Jardim de Alah são mais silenciosas e arborizadas, o que agrada viajantes que preferem caminhadas matinais ao barulho noturno. Onde quer que você fique, a lógica é a mesma: em Leblon, tudo que é útil está perto, e o bairro recompensa quem gosta de se movimentar a pé.

Hotéis em Leblon

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Como se locomover

Leblon é plano e extremamente caminhável. Você atravessa o bairro inteiro em quinze a vinte minutos, e a praia, os restaurantes e a rua principal ficam tão próximos que um táxi pode parecer desnecessário durante o dia. A Linha 4 do MetrôRio passa sob o bairro com duas estações: Antero de Quental, no centro de Leblon, e Jardim de Alah, na fronteira com Ipanema, ambas inauguradas em 2016. Isso facilita o acesso ao resto da Zona Sul e é a maneira mais limpa de se deslocar para leste, em direção a Ipanema, Copacabana e além.

Para qualquer lugar fora da linha do metrô, ou para voltar para casa após o anoitecer, use táxis por aplicativo como Uber ou 99, em vez de chamar na rua. A Lapa fica aproximadamente quinze a vinte minutos de carro, dependendo do trânsito. O Centro do Rio leva cerca de vinte e cinco a trinta e cinco minutos. O Aeroporto Galeão está a cerca de quarenta e cinco minutos a uma hora de táxi, enquanto o Santos Dumont é mais próximo, aproximadamente trinta a quarenta minutos.

Leblon é um dos bairros que mais transmitem segurança no Rio, bem patrulhado e popular entre turistas, mas ainda é um bairro de praia de uma cidade grande. Mantenha objetos de valor fora da areia, cuidado com furtos de celular em multidões e não ande por ruas tranquilas sozinho à noite quando um carro resolve melhor.

Leblon — suas perguntas

Leblon é uma boa área para se hospedar no Rio de Janeiro?

Sim. Se você quer acesso à praia, uma base mais calma e sofisticada que Copacabana, e a melhor concentração de restaurantes e botecos do Rio a uma curta distância a pé, Leblon é uma excelente escolha. A compensação é o preço: é o bairro de praia mais caro da cidade.

Leblon é seguro?

Leblon é geralmente uma das partes do Rio que transmitem mais segurança. É uma região nobre, bem patrulhada e popular entre visitantes, e os principais riscos são pequenos furtos, como roubo na praia ou de celular. Use o bom senso típico de grandes cidades e opte por aplicativos de táxi à noite.

Devo ficar em Leblon ou Ipanema?

Elas ficam a apenas uma curta caminhada de distância, então a escolha é realmente sobre o ritmo. Escolha Ipanema se quiser um cenário mais animado e um pouco mais barato, com a famosa turma do Posto 9 e a feira de artesanato aos domingos. Escolha Leblon para uma atmosfera mais calma e residencial, melhores restaurantes e uma praia mais familiar.

Para que Leblon é melhor?

Leblon é ideal para estadias sofisticadas na praia, gastronomia de destaque e uma base mais tranquila e segura na Zona Sul. Atende especialmente bem casais, famílias e viajantes focados em comida.

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